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Homem-Aranha no Aranhaverso: A Vez de Miles Morales

Autor(a): Leonardo Gianetti | 7 de março de 2019 | 12:00

            Um garoto que está tendo dificuldades em sua escola é mordido por uma aranha peculiar, que lhe dá poderes aracnídeos. Mas essa parte você já sabe, e não é de Peter Parker que estou falando, e sim de Miles Morales, um garoto que vive no Brooklin, e percebe ter os mesmos poderes do grande herói Homem-Aranha. Um acelerador de partículas controlado pelo Wilson Fisk, O Rei do Crime, abre portas de outras dimensões reunindo vários “Aranhas” em um só universo.

Enredo

A narrativa começa num ritmo devagar, mostrando uma a vida de Miles, para que o espectador vá se habituando ao enredo e às imagens, pois conforme vai avançando, seu ritmo vai ficando mais agitado e frenético. Com fidelidade aos quadrinhos aceitável, a história de Miles Morales é muito bem contada e executada. Como a ideia do herói é se aproximar do público, este não pode ser diferente, nos sensibilizamos com o garoto, podendo dividir suas emoções. Sim, ele é carismático. Mas não podemos esquecer que é só um adolescente e possui suas inseguranças e medos, algo que é muito bem demonstrado. Ficamos mais simpatizados com ele, ao acompanhar a superação destes conflitos.

As dificuldades que as outras “Cabeças de Teia” passam são colocados um pouco superficialmente, mas não é algo que atrapalhe o desenrolar da trama, afinal, eles não são o foco. Sua narrativa de quadrinhos ajuda muito na nossa interação com o universo. Os vilões são diferentes dos que estamos acostumados, como, por exemplo, o Duende Verde (um monstro voador gigante que cospe fogo). Claro, sua história não é das mais complexas, pelo contrário, é bem simples alias. Mas a forma como tudo é apresentado faz com que fique interessante. Houve pequenos furos na história, mas que podem ser facilmente relevados, que não estraga o conteúdo.

Animação

Rapaz, as imagens são muito belas, mas muito mesmo. Sem medo de dizer que é baseado em quadrinhos, as cenas usam recursos que eram utilizadas em HQs antigas. É possível ver algumas bolinhas ou linhas que dão essa impressão, além de utilizar balões de pensamentos e a divisão da tela em vários quadros em momentos de adrenalina. Suas imagens parecem ser desfocadas utilizando as cores de ciano e magenta, lembrando as cores padrões do uniforme do Homem-Aranha. Mas isso no universo de Miles, pois com os outros personagens é totalmente diferente, mostrando a individualidade de cada um, como por exemplo, a do Porco-Aranha, sua traço é o mesmo de cartoon e desenhos animados, já a de Peni Parker, é o traço de mangá e animes, e do Homem-Aranha Noir, tudo nele é preto e branco.

É utilizado, a todo o momento, várias onomatopeias, aquelas “palavras” que não tem significado, mas servem para representar sons e barulhos como “POW”, “SMASH”, “WOSH”. Suas imagens muito bem fluidas são fáceis de acompanhar tanto quando em momentos calmo ou quando as cenas de batalha. Há momentos de quebra da quarta parede, quando o personagem apresenta uma revista contando a sua história de origem.

A dublagem é boa, as vozes combinam com os personagens e são bem atuadas, porém às vezes há falhas. Não parece estar bem sincronizado com a imagem, parecendo novela mexicana. Há também alguns momentos em que deveria ter a voz de um personagem, mas não acontece, deixando impressão de que falta algo como um grito por exemplo. Por isso recomendo mais a versão legendada, aqui não há questionamentos sobre a dublagem original em inglês.

Não basta o desenho inteiro ser lindo visualmente, a cena pós-créditos mostra exatamente do que é capaz, entregando algo totalmente mais incrível que o resto do filme (espere tranquilamente os créditos passarem, VALE MUITO A PENA).

A trilha sonora é o tempero que faz a diferença no prato, como pimenta ou orégano, ou até mesmo o sal. Com o ritmo de hip-hop muito bem selecionado, é capaz de aumentar a adrenalina e sentimentos de cada cena. Principalmente a música tema Sunflower de Post Malone e Swae Lee. Deixarei o link do clip e a playlist no final do texto.

Esta é uma cena da musica Sunflower- de Post Malone ft.Swae Lee

Conclusão

O filme é feito para todos os tipos de espectadores, desde aqueles que estão conhecendo agora o Miles, até para os fãs de carteirinha do Homem-Aranha. À primeira vista, vemos um desenho muito atrativo e incrível, mas ao reparar melhor, pode-se perceber que há muitas referências, como por exemplo nos celulares, é possível encontrar os nomes de Brian Michael Bendis e Sara Pichelli, criadores de Miles Morales, e Steve Ditko, co-criador de Peter Parker, uniformes de outros universos, como a do novo jogo Marvel’s Spider-Man, e claro, não pode faltar, o Stan Lee, que dublou a si mesmo antes de falecer.

Homem-Aranha no Aranhaverso já ganhou prêmios como Globo de Ouro e Critics’ Choice Award, os dois de melhor filme de animação, e é claro venceu ao Oscar de melhor animação também.

E temos uma finalização incrível do filme com uma frase de Stan Lee:

“Aquele que ajuda os outros, simplesmente porque deveria ajudar e porque é a coisa certa a se fazer, é sem dúvida um SUPER-HERÓI de verdade.”

https://m.youtube.com/watch?v=ApXoWvfEYVu (Vídeo clipe oficial do filme)

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Leonardo Gianetti

Um Mochileiro, estudando a psicologia da mente daqueles que não entenderam o final de Lost. Sou definitivamente um Louco com um Caixa. Dentro do Ciclo da alquimia exerço minha ética.


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