Quadrinhos

Bakuman: O Mangá Sobre Mangás

Séries
Autor(a): Leonardo Gianetti | 27 de setembro de 2018 | 00:00

Sabe, você já chegou a sonhar ou então imaginar em criar algo, como um livro, ou então um quadro, quem sabe até uma poesia? Pois é assim que começa Bakuman (não confunda com Bakugan). Todos temos sonhos e pessoas com quem nos identificamos, mas existem momentos da vida em que a nossa criatividade e nossa esperança chegam a ser barrados, dependendo do contexto pode isso pode acontecer em casa, na escolas, ou nas ruas. No caso deste mangá, Moritaka Mashiro estava sem esperanças para o futuro, sabia desenhar bem, mas decidiu ter um emprego qualquer que lhe desse um sustento. Mas graças à insistência de Akito Takagi, Mashiro aceitou seguir seu sonho e desenhar as histórias de Takagi. Os dois possuem um passado difícil que os impediam deles seguirem seus sonhos. Mas acontece que só sonhar não leva a nada, é preciso um objetivo, que no caso é o Amor. Moritaka fica mais animado e focado quando sua alma gêmea, Miho Azuki, aceita se casar com ele quando for dubladora da heroína no anime deles. Assim surge a dupla com o pseudônimo Ashirogui Muto. A partir daí, os dois passam por várias aventuras e dificuldades relacionadas à criação de mangás.

Mangá Dos mesmos autores de Death Note, Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, Bakuman consegue harmonizar incrivelmente sua história cheia de diálogos e reviravoltas com o desenho rebuscado e suave. Lançado pela editora Shueisha, na revista Weekly Shonen Jump (a revista que os protagonistas publicam suas obras). Sua disponibilidade de quadros por página é algo muito profissional. A arte é muito maleável ao mostrar outros mangás dentro desse mundo, e as cenas emocionantes ficam ainda mais marcadas com o domínio que Takeshi tem do papel e do lápis. O roteiro de Tsugumi, completo e cheio de emoção, visando a participação de todos os personagens, faz o leitor querer saber o desfecho de cada um deles. Pode-se dizer que a história possui muitas falas e balões de diálogos. Mas, a meu ver, isto não reduz sua qualidade. Bakuman tem uma história bastante voltada para o Shonen, é um estilo de mangá mais voltada para o publico infanto-juvenil masculino, porém eles possuem seus momentos de comédia romântica, que particularmente acho sensacional e muito bonito. Mas para ser Shonen precisa de batalhas, mas estas não são comuns, são competições entre os autores que existem neste universo. Como por exemplo, as disputas com o rival Eiji Nizuma, este considerado um gênio do mangá. E é claro, a relação entre ele e a dupla Ashirogi Muto, pode ser comparado à rivalidade de Goku e Vegeta, ou então de Naruto e Sasuke. Rivais que incentivam o outro a melhorar.

Durante toda a história são colocadas sagas onde os protagonistas se deparam com desafios em que os Mangakas (palavra japonesa para aquele que produz mangás) normalmente enfrentam. Como por exemplo, a dificuldade de criar uma história de sucesso, noites sem dormir para desenhar as cenas, o sistema de votação para decidir se a obra irá perdurar ou será cancelada. Claro com um toque mais animado surge uma rivalidade saudável entre os novos autores apresentados na série. Sua narrativa bem vivida e seus personagens bem carismáticos conseguem com plenitude deixar o leitor (ou telespectador) ansioso para o resultado da votação, consegue nos fazer entender e sentir empatia pelos personagens. Eu digo personagens porque são mais de um em que isso acontece, pelo menos quase todos. Um pequeno exemplo é nos simpatizarmos com Shinta Fukuda e sua mania de se meter na vida dos outros, porém ele faz isso apenas para ajudar.

Anime

Nos mangás de Bakuman a quantidade de falas e balões é imensa, são vários detalhes escritos nas conversas, isso pode desgastar um pouco, pois em HQs ou mangás, é necessária uma harmonização com a imagem, onde as falas não devem cobrir toda a imagem, nem a imagem impedir o diálogo. Porém, entretanto, contudo, todavia Bakuman faz isso magnificamente, seus diálogos compridos mostram quando um personagem fica a vontade para conversar, ou uma discussão. E em momentos certeiros sua arte mostra certinha quando ações falam mais que palavras. Seus Plot Twists (reviravoltas) são inesperadas e muito bem vindas, concordando, é claro, com as possibilidades que o enredo entrega. Mas em anime isto se torna difícil, ficaria maçante uma imagem parar com a longa conversa. Porém o anime consegue reduzir a conversas e cenas que não são menos importantes, e não altera muito a historia, apenas deixa de mencionar uma coisa ou outra.

Concluindo

Emoções, risos, ansiedade, alegria, nostalgia, esses são alguns dos sentimentos que se pode sentir ao ler/assistir Bakuman. Seu romance perfeito deixa sua leitura ainda mais engraçada e divertida, em muitos momentos agitados e apreensivos e em outros calmos e belos. Seu desfecho é esperado, porém marcante. O caminho que a historia leva é, atrevo dizer, perfeito. Por muitos momentos é fácil se apaixonar pelo enredo, ou personagem ou até pelo desenho. Eu particularmente adoro a energia de Kaya Miyoshi (melhor amiga da heroína da historia), e pela comédia de Kazuya Hiramaru (autor fictício da Weekly Shonen Jump). Exploração completa dos personagens, sua utilização é genial. Há algumas referências e menções de outros mangás. Um fato curioso, conforme o mangá avança e o tempo passa, pode-se perceber o crescimento da arte e da narrativa. Isso faz com que o leitor se prenda com mais facilidade, e tenha um sentimento de participação e acompanhamento dessa progressão. E para passar este sentimento, os autores também demonstram o processo de cada capitulo em seus encadernados. Desde a ideia inicial do roteirista, até a finalização do desenhista. Existem vários momentos em que os protagonistas (ou personagens secundários) se encontram no dilema: Deve fazer algo melhor que apenas mangá.

Termino este texto com a frase de Akito Takagi: “É verdade que vou me arrepender se eu manter meus sonhos e falhas, mas lamentarei se nem mesmo tentar”.

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Leonardo Gianetti

Um Mochileiro, estudando a psicologia da mente daqueles que não entenderam o final de Lost. Sou definitivamente um Louco com um Caixa. Dentro do Ciclo da alquimia exerço minha ética.


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