Sobre

Como já diz a velhíssima falácia: tem cultura aquele que lê uma “boa” literatura, vê um filme “artístico”, aprecia uma história em quadrinhos “complicada” e assiste aquela série “densa e profunda”. Muitos, ao longo do tempo e em diferentes momentos históricos, se apropriaram dessa velha falácia. E as consequências disto foram catastróficas. Menosprezo, ignorância, exclusão, preconceito, guerras e escravidão. Muitas vezes, um povo ou (ao menos) uma pessoa se viu superior culturalmente ao outro, e para o outro, sobrou apenas violência e, após ela, submissão.

Pessoas foram taxadas de inferiores, primitivos, submissos, raça suja, filhos do demônio e, por fim, de indivíduos sem cultura ou de cultura inferior. Tudo porque existem pessoas que não conseguem compreender a pluralidade cultural do mundo sem tentar hierarquizá-la, comercializá-la, quantificá-la e qualificá-la. Para elas, a cultura não é algo que é construído em relações sociais e ao longo do tempo e da história, mas que se pode adquiri-la da mesma forma que pode não tela. Assim, cultura se torna um objeto, um objeto que se utiliza e hierarquiza.

Hoje isto ainda acontece. E uma nova frente de batalha será aberta. Hoje vestiremos as armaduras das pessoas ditas Sem Cultura, àquelas que na maior parte do tempo são incompreendidas, excluídas e vítimas de preconceitos. As pessoas sem cultura – aquelas que “consomem” uma produção voltada ao “povão”, de histórias “simples” e com ausências de um “grande significado” (ou até histórias “moralizantes”) – encontraram um espaço aqui. Esse site não é apenas para elas, mas feita por elas.

Pensando na diversidade, abordaremos também conteúdos “cult” e as vezes até “acadêmicos”, entretanto, assumimos o compromisso de não encher os textos de palavras difíceis – como fazem alguns, para sentir-se superior ou restringir a interpretação daqueles que não possuem determinada bagagem (capital) cultural. Nosso objetivo é difundir a diversidade para todos e todas dispostos a usar seu precioso tempo interagindo com nosso conteúdo.

O Sem Cultura não está aqui para reproduzir velhas falácias, mas para criar um espaço de opinião, para ajudar a desconstruir todo esse cenário onde culturas são hierarquizadas. Aqui um quadrinho de herói terá um valor tão significativo quanto o teatro grego. Mas, vamos além disso. O Sem Cultura se propõem também a demonstrar como essa cultura (e na falta de palavras) de elite constantemente está intrinsecamente ligada a uma cultura (novamente, na falta de palavras) de apelo popular – e vice-versa. No final das contas, não há uma divisão. Há apenas uma diversidade, uma pluralidade de histórias e formas de contá-las. E aqui… você conhecerá muitas delas.

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